segunda-feira, 11 de março de 2013

Pretende


Ainda não tinha alcançado a metade do livro quando ele se foi, deixando um rastro de impotência e de descrença. Almejava uma explicação qualquer e, apesar de doloroso, ouvir pelo menos um “adeus”; ter a confirmação de que ficaria apenas com um pedaço de seu livro para mim. E que, apesar do adeus, perceber (se sim ou se não) a possibilidade de retomar a leitura de seu indivíduo.

Mas isto significa vontade. A realidade, impotência. Sem saber como lidar e como se comportar, o que fazer; o que perguntar; o que pensar e o que concluir: essa impotência. O título era enigmático, mas sabia que o livro era denso e que guardava imensa profundidade. Nem por isso desistiu, nem pela complexidade desistiu, nem pelas diferenças desistiu. À medida que adentrava os discursos, acabou por acreditar nas palavras de cada página. A dificuldade, que era imagem, passou a fundo. Transformou-se em um mês. Um mês de conceitos e um mês de reflexões, que agora se caracteriza como um mês de memória.

Paulatinamente, a resistência e o receio se incluíram na compreensão do conteúdo, junto a cada interpretação certeira e a cada encontro de concepções. Apesar de consistentes, as incertezas pareciam esvair. Pelo menos, para uma das partes. E repentinamente, seu sumiço. Desaparecer como o suspiro em que apareceu.

A cada ato de pensar, um quesito. A cada publicação, uma inquietação. A cada lembrança, uma controvérsia (com o momento e com o modo em que a conjuntura se desbalanceou). Apesar de distante, o livro está ali; mas não mais à altura de sua mão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário