A verdade oculta é a que mais gera dor, que corrompe
pouco a pouco e, repentinamente, percebe-se dilacerado e com o coração pesado,
gritando socorro. A solução é certa, mas é de difícil aplicação – claro.
Deveria ter sido posta em prática há tempo e, sim, uma parte dela foi
executada. Mas tanta coisa continua acumulada que determina a predominância da
falta de atos.
Quando o pesar bate o único remédio a pequeno prazo é o
choro. Não tem problema em chorar, porque alivia. Mas ele apenas serve para
deixar as ideias claras, para fazer com que a mente comece a funcionar. E tudo
vai recomeçando rapidamente, porque a situação não deixou de existir; ela é o
acúmulo de tristezas, de vontades, de partes da vida.
E se vê perdido, rodando em círculos. Com a mesma peça
do quebra-cabeça faltando e a espera pelo dia D se torna mais longa, mais
deplorável. O desejo de jogar tudo para o alto é gigantescamente tentador, mas
seus pés continuam a tocar o chão. Você não está só; é uma das outras
quinhentas variáveis do quebra-cabeça que quebra a sua cabeça. Você continua a
tentar, em busca do acerto que fará o quebra-cabeça completar-se, quer dizer,
despedaçar-se.
Com o olhar recaído sobre si perante o espelho, o
estalo de que várias explicações não continham o verdadeiro problema ocorre e o
sentimento de que o espírito não sabe mais para onde correr aparece. Continua a
ser um labirinto sem saída, sem o suspiro de alívio.