quarta-feira, 3 de abril de 2013

Feedback (negativo)


No terceiro dia (ou foi no quarto?), certo alguém me perguntou por um feedback negativo. Minha resposta, vaga e distante, dizia que ainda não poderia fornecer uma resposta àquela pergunta. Daquele dia em diante, a vontade de responder adequadamente àquela pergunta revirava minha mente. Até após os cinco dias do evento.

A cada momento que me questionava, percebia que minha dúvida permeava outras     tantas colocações. E que essas impressões estavam a me atrapalhar, mas a tal da resposta não chegava. E não chegou.
Em minha cabeça, apenas existia o comentário: “feedback negativo, não, feedback construtivo”. E assim se manteve aliado à percepção de que a melhor construção que poderia fornecer é a de uma carta branca. Com roupagem de “Gorgeous”.

Isso apenas atestou a minha confiança e, se tiver de fazer um feedback construtivo de alguma parte, claramente não será para quem me perguntou. Na realidade, lembra-se daquelas colocações que me atrapalhavam? Melhor dizendo, lembra-se daquelas picuinhas? Então. Impressões que provavelmente você não se importe, mas que para mim às vezes é bastante gritante.

A resposta pode parecer ainda distante, infelizmente. Mas é certeza. Certeza de quê? De que a nostalgia passou e que agora em mim existe o sorriso pelo tanto que todos me cativaram, pelo tanto que todos me marcaram e pelo tanto que sinto por todos. Indignação por não conseguir expressar de maneira mais adequada? Sempre, quando apenas resta o sorriso e o sentimento gravados em mim.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Pretende


Ainda não tinha alcançado a metade do livro quando ele se foi, deixando um rastro de impotência e de descrença. Almejava uma explicação qualquer e, apesar de doloroso, ouvir pelo menos um “adeus”; ter a confirmação de que ficaria apenas com um pedaço de seu livro para mim. E que, apesar do adeus, perceber (se sim ou se não) a possibilidade de retomar a leitura de seu indivíduo.

Mas isto significa vontade. A realidade, impotência. Sem saber como lidar e como se comportar, o que fazer; o que perguntar; o que pensar e o que concluir: essa impotência. O título era enigmático, mas sabia que o livro era denso e que guardava imensa profundidade. Nem por isso desistiu, nem pela complexidade desistiu, nem pelas diferenças desistiu. À medida que adentrava os discursos, acabou por acreditar nas palavras de cada página. A dificuldade, que era imagem, passou a fundo. Transformou-se em um mês. Um mês de conceitos e um mês de reflexões, que agora se caracteriza como um mês de memória.

Paulatinamente, a resistência e o receio se incluíram na compreensão do conteúdo, junto a cada interpretação certeira e a cada encontro de concepções. Apesar de consistentes, as incertezas pareciam esvair. Pelo menos, para uma das partes. E repentinamente, seu sumiço. Desaparecer como o suspiro em que apareceu.

A cada ato de pensar, um quesito. A cada publicação, uma inquietação. A cada lembrança, uma controvérsia (com o momento e com o modo em que a conjuntura se desbalanceou). Apesar de distante, o livro está ali; mas não mais à altura de sua mão.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Formato de pensar

Para quê dizer que tudo está bem se o certo é dizer que não? A falsa despreocupação acaba permeando não apenas os seres ao seu redor, mas seu próprio coração. Aquela mentira que acaba se tornando verdade quando repetida umas mil vezes. E dai vem o baque. Você se olha no espelho e se desata a chorar; seu coração se quebra e volta para o início. 

A primeira coisa? Dizer que não, não está bem. Depois disso, é só desenvolver. Começar a pensar. Porque meu coração está tão pequeno? Mas tão cheio de mundo e tão vazio de sociedade que não sabe como lidar e transforma esse vazio em estado de mente. Meu corpo emerge e começa a se degenerar. Mente vazia - sempre falaram para correr dela, mas coitada! Mente vazia não significa tranquilidade, paz, calmaria?

Meu corpo, tão cheio do mundo, começa a se encher dele mesmo. Os lados observados pelos meus olhos parecem sempre os mesmos – as coisas não mudam. Às vezes parece que sua mente corre em círculos. Para. Faz um lanchinho e. Volta a correr.

Corre como um maratonista atrás da sua própria medalha de ouro; atrás de seu próprio pódio de respostas. Mas a mente corre a tanto tempo que se cansou. Uma hora cansa. O fôlego se esvai – digo o mesmo da vontade enquanto a maldita da dor se mascara. Você acredita no sorriso estampado no seu rosto.

O que fazer para levantar o Nobel da Consciência? Como fazer a mente descansar em uma pausa realmente profunda; sem as dores do treino. Treino? Quando foi que ela treinou para todo esse desespero? Quem ensinou a ela a lidar com toda a angústia e a decepção? Ninguém. Ela não foi ensinada. Ela apenas tenta de todas as maneiras e da melhor forma que pensa ser possível. É o tiro no escuro que norteia seus princípios, seu humor, seu pensamento. A certeza? Não se saberá, mas a análise? Pode se tentar.

Teria como se pensar errado.

domingo, 24 de junho de 2012

Coração


A verdade oculta é a que mais gera dor, que corrompe pouco a pouco e, repentinamente, percebe-se dilacerado e com o coração pesado, gritando socorro. A solução é certa, mas é de difícil aplicação – claro. Deveria ter sido posta em prática há tempo e, sim, uma parte dela foi executada. Mas tanta coisa continua acumulada que determina a predominância da falta de atos.

Quando o pesar bate o único remédio a pequeno prazo é o choro. Não tem problema em chorar, porque alivia. Mas ele apenas serve para deixar as ideias claras, para fazer com que a mente comece a funcionar. E tudo vai recomeçando rapidamente, porque a situação não deixou de existir; ela é o acúmulo de tristezas, de vontades, de partes da vida.

E se vê perdido, rodando em círculos. Com a mesma peça do quebra-cabeça faltando e a espera pelo dia D se torna mais longa, mais deplorável. O desejo de jogar tudo para o alto é gigantescamente tentador, mas seus pés continuam a tocar o chão. Você não está só; é uma das outras quinhentas variáveis do quebra-cabeça que quebra a sua cabeça. Você continua a tentar, em busca do acerto que fará o quebra-cabeça completar-se, quer dizer, despedaçar-se.

Com o olhar recaído sobre si perante o espelho, o estalo de que várias explicações não continham o verdadeiro problema ocorre e o sentimento de que o espírito não sabe mais para onde correr aparece. Continua a ser um labirinto sem saída, sem o suspiro de alívio.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Disgusting

Você está feliz por tudo que acontece, mas quando fica sozinha sente o abismo adentrar seu corpo, alojar-se em sua alma e reinar seu peito. Não é uma dor, é apenas o de sempre. E então você olha ara suas unhas amarelas e não reconhece você mesmo. Elas não fazem parte de você, mas você faz parte delas.

Uma lágrima é derramada. E mais outra. Você gostaria de ter a força daquela pessoa, a sua determinação. Sua coragem. Mas a verdade é que você se rendeu às palavras dos outros e agora? Qual a solução para si mesmo?
Você não reclama porque gosta, mas o outro futuro é simplesmente a sua essência. Porém, o verdadeiro é seu dom.

A vontade de ser a mudança. Dos outros, do país, da vida. De você mesmo. Quanto mais eu pergunto, mas me perco no redemoinho de sílabas e letras em minha cabeça, parece que me prendo ao passado, ao passo que ele já foi superado. Modificação com tempero. Análises obtusas e divertimento pecaminoso. O que realmente é errado e o que realmente é certo?

O que realmente é você? O que faz parte de você. Seus valores. De hoje, que serão diferentes amanhã. A vida realmente muda e é isso que temos de superar.