Ainda
não tinha alcançado a metade do livro quando ele se foi, deixando um rastro de
impotência e de descrença. Almejava uma explicação qualquer e, apesar de
doloroso, ouvir pelo menos um “adeus”; ter a confirmação de que ficaria apenas
com um pedaço de seu livro para mim. E que, apesar do adeus, perceber (se sim
ou se não) a possibilidade de retomar a leitura de seu indivíduo.
Mas
isto significa vontade. A realidade, impotência. Sem saber como lidar e como se
comportar, o que fazer; o que perguntar; o que pensar e o que concluir: essa
impotência. O título era enigmático, mas sabia que o livro era denso e que
guardava imensa profundidade. Nem por isso desistiu, nem pela complexidade
desistiu, nem pelas diferenças desistiu. À medida que adentrava os discursos, acabou
por acreditar nas palavras de cada página. A dificuldade, que era imagem, passou
a fundo. Transformou-se em um mês. Um mês de conceitos e um mês de reflexões,
que agora se caracteriza como um mês de memória.
Paulatinamente,
a resistência e o receio se incluíram na compreensão do conteúdo, junto a cada
interpretação certeira e a cada encontro de concepções. Apesar de consistentes,
as incertezas pareciam esvair. Pelo menos, para uma das partes. E
repentinamente, seu sumiço. Desaparecer como o suspiro em que apareceu.
A
cada ato de pensar, um quesito. A cada publicação, uma inquietação. A cada
lembrança, uma controvérsia (com o momento e com o modo em que a conjuntura se
desbalanceou). Apesar de distante, o livro está ali; mas não mais à altura de
sua mão.